Entrada da administração do Complexo Arqueológico Miculla.

9º Dia: Ponte de sisal e policiais peruanos…

A diferença de horário do Peru em relação à São Paulo é de 3 horas para menos. Acordamos cedo e fomos tomar café da manhã no hotel. Aqui é difícil de encontrar hotéis que sirvam buffet, a maioria é o que chamam de “desayuno continental” ou “desayuno americano“. Uma xícara de café ou chá, um ou dois pães duros, um pouco de manteiga e, com sorte, um copo de suco.

Depois saímos para andar por Tacna pela manhã. Aliás, a vida de Tacna é regada a cassinos. Andando pela rua principal (Calle San Martin), a cada esquina encontramos um. Mas a maioria possui apenas máquinas caça níquel e roletas computadorizadas. Só encontramos um com jogos de mesa. Chegamos a ver um rapaz perder S/.100,00 (cerca de R$90,00) em uma única rodada de roleta. Dá até vontade de jogar, mas deixemos pra depois.

Igreja no centro de Tacna.
Igreja no centro de Tacna.
Escultura no museu em Tacna.
Escultura no museu em Tacna.

Fizemos o checkout no hotel e seguimos para Miculla, onde existem duas pontes de sisal e alguns geoglifos deixados por incas. O passeio por todo o parque (se é que se pode chamar aquilo de parque) demora cerca de 1 hora, mas só vale mesmo pelas pontes. Havia uma placa bem grande na entrada com o valor do ingresso e dizendo para exigirmos o nosso comprovante de pagamento. Quando pagamos, o rapaz disse que não tinha comprovantes no momento… hã, temos caras de brasileiros tontos agora, né? Sem controle de entrada nenhum, é claro que ele embolsou o dinheiro. Mas, enfim, não vamos brigar por isso.

Caminho no Complexo Arqueológico de Miculla.
Caminho no Complexo Arqueológico de Miculla.
Ponte de sisal no Complexo Arqueológico de Miculla.
Ponte de sisal no Complexo Arqueológico de Miculla.

Vídeo da travessia da ponte de sisal em Miculla.

Após o passeio, cansados, seguimos para a estrada, sentido Arequipa. Decidimos ir pelo litoral para evitar aquelas paisagens desérticas de horas e horas que dão um sono tremendo. Aliás, de San Pedro do Atacama até Tacna, praticamente só deserto!

No meio do caminho fomos parados em um controle da aduana peruana. Enquanto passávamos com o carro, um dos agentes pediu que encostássemos. Em seguida ele já comentou com os demais: “Son brasileños“. Pronto, ferrou. Muito bem, hora de relaxar. Pediram que o motorista entrasse na salinha deles com a documentação do veículo. Lá dentro 5 agentes. Um deles pediu a CTI e o documento do carro, abriu um livro e começou a fazer anotações. Enquanto isso o mais velho de todos (parecia ser o chefe) começou a fazer perguntas do tipo: “De onde estão vindo?”… “Para onde vão?”… “Por onde vão”… etc… Ok, até aí tudo bem, até que começou a perguntar no que trabalhávamos no Brasil. Opa! Experiências anteriores fazem com que a luz de alerta se acenda quando um policial te para e começa a fazer esse tipo de pergunta. Quase sempre está sondando para saber se pode ou não pedir dinheiro. Resposta padrão: “Trabajo en el Poder Judiciário Federal“… “Hum, trabajas en la Justicia?“… “Sí!!!“.

Bom, nesse momento é a hora em que precisamos começar a amizade. Aproveitando que ele comentou da rodovia que liga Cuzco ao Acre, comecei a fazer perguntas simpáticas, com muito sorriso no rosto, com aquela cara de cínico de “brasileiro gente boa!” e elogiando as rodovias do país. Nisso o outro agente terminou as anotações, levantou, sentou junto aos demais e ficou segurando a documentação na mão. Na hora já veio o pensamento: “Por que esse cara não devolveu esses documentos ainda?”… Mas o sorriso no rosto e a simpatia tinham que continuar. Mais uns três minutos de conversa e o rapaz com os documentos olha para o mais velho, este acena com a cabeça, e o outro devolve a documentação. “Solamente eso?“… “Sí, puedes ir. Buen Viaje“… Ufa! Mas que controle aduaneiro maravilhoso! No total tinham uns 10 agentes trabalhando (leia-se: conversando) e nem para revistarem o carro… ainda bem! rsrs…

Depois foi seguir pelo litoral até Punta de Bombon e Arequipa. A estrada pelo litoral é “diferente”. Apesar de possuir asfalto novo, é vazia de carros, sinuosa, tem pouca sinalização e muitas pedras grandes no meio do caminho (roladas do alto das montanhas). Passa por entre os montes que chegam na beirada da praia. A vista é maravilhosa, mas o caminho é muito perigoso. Totalmente desaconselhável de se fazer à noite.

O caminho de hoje:

DADOS – 9º DIA
Saída: Tacna – Peru
Chegada: Arequipa – Peru
Distância percorrida: 458km
Pedágios:
Combustível: S/.140,00
Hospedagem: S/.90,00
Refeições: S/.12,00
Passeios e entradas: S/.2,00
S/. = Soles