Bandeira chilena.

8º Dia: Chile x Peru…

O dono do hostal onde dormimos em Arica (Chile) adorava contar as histórias da Guerra do Pacífico, entre Chile, Peru e Bolívia. Chamou-nos a atenção o conhecimento que ele tinha da história do seu país.

Também teceu alguns comentários sobre a “mágoa” que os peruanos guardam sobre os chilenos. Parece que quando vêm carros chilenos, os policiais peruanos correm para parar e cobrar propina (mais ou menos como acontece quando brasileiros transitam no Paraguai).

Ouvidas as histórias, demos saída do hostal para subir o Morro de Arica, onde tiramos algumas fotos. Depois seguimos para o Museu Arqueológico de Azapa. Lá existem diversas múmias (as mais antigas do mundo), dos antigos povos que viviam aqui.

Arica vista do Morro de Arica.
Arica vista do Morro de Arica.
Múmia no Museu Arqueológico de Azapa.
Múmia no Museu Arqueológico de Azapa.

Por um tempo, ficamos em dúvida se seguíamos viagem ou  retornávamos ao hostal para descansar mais uma noite. No final, decidimos seguir para o Peru.

O trâmite nas aduanas do Chile e do Peru entre Arica e Tacna é um caso a parte. Muita desorganização e falta de informação.

Para começar, no Chile precisamos pagar pelos formulários de saída! Nunca vimos algo assim antes. Os funcionários pareciam fazer questão de atender mal e de não responder às nossas perguntas. Quando a funcionária da Aduana terminou, perguntamos se era somente aquilo ou se tinha mais alguma coisa e ela simplesmente fingiu que não me ouviu abaixando a cabeça. Fomos até um carabineiro para perguntar, se pôs a falar rápido e apontar o dedinho.

Aliás, como foi difícil de entender o que os chilenos do norte do país falam! Além de falarem rápido, quando não entendemos não se preocupam em repetir mais devagar. E ficam bravos quando pedimos para repetir pela segunda vez.

Bom, passada a aduana chilena, seguimos rumos à aduana peruana. Primeiro o trâmite dos passageiros. Quando chegamos ao balcão perguntamos para o senhor que nos atenderia o que precisava, a resposta dele foi “ganhar na loteria”. De início pensamos ser uma brincadeira, tanto que respondemos que também gostaríamos, mas ele continuou sério, então aquilo não era simpatia, mas sim grosseria. Depois, algumas perguntas sobre o nosso trabalho e profissão. No final, antes de entregar os documentos, nos fez duas perguntas que pareciam curiosidade, mas na verdade eram pegadinhas: 1) Quantos eleitores têm no Brasil?… 2) Quanto tempo demora para saber o resultado de uma eleição para presidente no Brasil?… Ele só entregou a documentação de entrada no país após respondermos. E pra responder? Como lembrar quantos eleitores têm ali, na hora, na frente do cara? Foi no chute, mas um chute tão convincente que ele acreditou: 155 milhões!… Na verdade seriam 136 milhões.

Passada essa primeira etapa, fomos ao controle de entrada do veículo. Fomos conversar com o primeiro, que não entendia o que falávamos. No final entendemos que era para procurar os fiscais que estavam “na pista”, olhando os carros. Ok! Fomos até eles e já reparamos alguns sorrisinhos disfarçados. Perguntamos para dois deles o que deveríamos fazer, nos responderam para conversar com uma outra agente sentada em um banquinho num canto lá. Ok! Fomos conversar com a tal menina e ela nos manda conversar de volta com aqueles mesmos caras. Tentávamos dizer que eles é que nos mandaram falar com ela, mas não nos entendia. Ok! Voltamos aos tais caras, e já havia uma mulher junto. Foram até próximo do carro e começaram a falar coisas que não entendíamos, até que perguntaram de onde éramos: Brasil! (com um “L” longo no final para dizer que falávamos em espanhol). Então “relaxaram”, e nos disseram para passar toda a bagagem pelo scanner que havia lá dentro da aduana (igual àqueles de aeroportos). Na hora respondemos que era muuuuita bagagem pra levar até lá! Olharam-se entre eles, deram mais alguns sorrisinhos (nessa hora temos que confessar que pensamos que perderíamos algum dinheiro ali mesmo), e o rapaz começou a perguntar:

1) Está levando algum notebook? R: Sim.
2) Máquina fotográfica? R: Sim.
3) Filmadora? R: Sim.
4) Celular? R: Sim.
5) Aparelho de DVD? R: Não.
“Ok! Não tem nenhuma fruta no carro não, né?”… Não.

Pegou o papel das nossas mãos e carimbou a autorização de passagem. O engraçado é que o rapaz parecia querer ouvir um “não” e as respostas sempre eram “sim”. A primeira pergunta que dissemos “não” foi o que importou… rsrs.

Mais um carimbo conseguido, agora precisávamos de uma tal “CTI”, que seria a autorização para o carro transitar no Peru e no Equador. Fomos até o quiosque onde conseguiríamos o documento. Aquele era um funcionário público das antigas. Só pra levantar da cadeira eram uns 10 segundos. A cada momento pedia um documento diferente, e eram mais 10 segundos pra levantar da cadeira e pegar das nossas mãos. O processo inteiro deve ter demorado uns 25 minutos. Isso tudo para tirar cópia de 4 documentos, preencher um formulário com uns 20 campos no computador, imprimir duas folhas e bater um carimbo… 25 minutos!!! Mantemos a simpatia para não ter problemas.

Ok! Agora sim, tudo liberado para a nossa entrada no Peru! Viemos até Tacna, onde trocamos o dinheiro chileno pelo peruano e arranjamos um hotel bonzinho para dormir.

Fronteira Chile x Peru
Fronteira Chile x Peru

Trajeto do 8º dia:

DADOS – 8º DIA
Saída: Arica – Chile
Chegada: Tacna – Peru
Distância percorrida: 107km
Pedágios:
Combustível: PC$5.000,00
Hospedagem: S/.115,00
Refeições: PC$ 11.000,00 + S/. 40,00
Passeios e entradas: PC$4.000,00
PC$ = Pesos Chilenos
S/. = Soles
R$1,00 = S$1,15 (em média)