O causo da batata frita chinesa

Esse causo ocorreu na China, em abril de 2016. Há quem não saiba, mas nossos irmãos da bandeira vermelha e olhos puxados também comem muita junk food, como McDonald’s, Burger King e outras redes próprias deles. Estava em Xi’an quando resolvi entrar em uma dessas lanchonetes. A disposição das lojas é exatamente a mesma que conhecemos por aqui e por todo o mundo. Um balcão com caixas registradoras e atendentes para quem fazemos pedidos, painéis no alto para ver os produtos com seus preços e, no fundo, uma janela pela qual se vê a cozinha (ou, pelo menos, parte dela) e por onde os lanches saem para ser entregues. Nos painéis, fotos e mais fotos de sanduíches e tudo escrito em mandarim. Poucos são os chineses que conseguem se comunicar em inglês, então eles acabam fazendo de tudo para evitar falar com um turista. Ao chegar perto do balcão para perguntar algo geralmente já puxam um cardápio traduzido e nos entregam. Nessa lanchonete não foi diferente. Os combos também são padrão: lanche + refrigerante + batata frita. Pedi o meu usando a técnica do “apontar no cardápio e mostrar nos dedos quantos se quer de cada coisa”, paguei e fiquei esperando ficar pronto. A atendente estava preparando dois pedidos ao mesmo tempo. Colocou um lanche em cada bandeja, os refrigerantes e a batata apenas na bandeja do outro cliente. Ué! Cadê a minha?!? Fiquei sem entender o que tinha acontecido. Olhei para ela e perguntei apontando para a outra batata na bandeja. Sem nem tentar responder nada, ela chamou outra atendente que passava por trás de mim e começou a falar algo em mandarim. A menina veio até o balcão e as duas começaram a gesticular e dizer coisas entre elas e eu ali, esperando e entendendo bulhufas. A duas puxaram celulares dos bolsos e continuavam a falar e gesticular enquanto procuravam algo nos aparelhos, provavelmente um tradutor. Até que a segunda atendente apontou para o outro lado do balcão gritando algo, a primeira foi até lá e pegou um daqueles aparelhos quadradinhos de senha que vibram e piscam quando chega a sua vez (igual ao do Outback) e entregou para mim. Olhei para as duas e estavam caladas com um semblante de esperança no olhar, torcendo para que eu entendesse o recado. Veio aquela pausa de alguns segundos para compreender a situação. Olhei a bandeja sem a batata, olhei para o aparelho de senha na minha mão, olhei para a mesa do pessoal que já estava comendo suas batatas enquanto observavam a minha situação, olhei para as atendentes que estavam quase implorando com os olhos para que eu me esforçasse a entender a situação e então veio o momento TCHANAN. Entendi!!!! A batata havia acabado, só deu para fazer uma e eu teria que esperar terminarem de fazer mais! Ahhhhhhhhhh… Fui para a mesa comer o sanduíche e esperar a batata chegar. Logo em seguida houve troca de turno na lanchonete e a atendente foi para o fundo da loja se trocar. Quando ela retornou, a batata já tinha chegado. Ao vê-la em cima da minha mesa, ela abriu um sorriso e ficou toda feliz com o resultado. A falta de uma língua comum torna a comunicação difícil até para coisas bobas como essa. Ainda bem que existem linguagens universais, como um aparelho de senha que vibra quando chega a sua vez…


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